Com raízes coruripenses, Jornalista Edson Beú lança seu livro Velhos Não Morrem

Na última sexta-feira (16) teve lançamento do livro Velhos Não Morrem, breve tributo à memória, ao imaginário e à sabedoria do escritor que tem raízes coruripenses, Edson Beú Luiz. O evento aconteceu no Plenário Djalma Barros Siqueira, na Câmara de Vereadores de Coruripe.

Muito tranquilo e cercado de familiares e amigos, o jornalista relatou parte das experiências que vivenciou para a construção da obra.

“A minha relação com Alagoas e, mais especificamente, com Coruripe, foi sedimentada mais por meio da memória dos meus pais, Auta e Osvaldo, ambos alagoanos, minha mãe de Coruripe, meu pai de São Luiz do Quitunde. Pelos seguintes motivos: meu pai era mecânico da usina de açúcar de Coruripe na década de 1940. Seu patrão decidiu expandir os negócio e instalou uma outra usina, desta vez, no município de Campos dos Goytacazes, no estado do Rio de Janeiro. Para isso, convidou meu pai para exercer a mesma função na nova unidade. Recém-casado, migrou para o Rio de Janeiro, onde tiveram três filhos, sendo eu o terceiro. Meu pai continuou descendo para o Sul junto com a família, a exemplo de milhares de nordestinos na época, até se fixar no Estado de Minas Gerais. Cresci ouvindo relatos sobre a então distante Coruripe. Minha mãe era uma exímia contadora de história, além de ter uma memória excepcional. Foi por meio de seus testemunhos e da convivência com meus pais e os seus familiares que assimilei os costumes, hábitos e da cultura nordestina, que forjam a minha identidade”, completou o escritor.

Logo após, recebeu o carinho de todos os presentes e assinou cada exemplar com dedicatória.

O momento contou com apresentações culturais de Xaxado e Coco de Roda, além da apresentação do escritor, sessão de autógrafos e palavra das autoridades.

Sobre o Livro

Velhos Não Morrem tem como roteiro a história de vida da mãe do autor, Auta Beú do Carmo Luiz, alagoana de Coruripe, falecida aos 99 anos de idade. À primeira vista, pode parecer algo de interesse estritamente familiar. Mas trata-se de um tributo a todos os velhos pelo seu papel de transmissores da memória e, conseqüentemente, do conhecimento acumulado pelo homem ao longo de milênios.

Folclore, mitos da floresta, hábitos e costumes da região de Coruripe, valores culturais, tradições, meio ambiente, etc, são alguns temas presentes na fala da narradora.

A diversidade dos depoimentos possibilitou articular os registros orais com dezenas de autores, desde Câmara Cascudo, Gilberto Freyre, Artur Ramos, Pedro Teixeira de Vasconcelos, Aloísio Vilela, Théo Brandão, Marilena Chaui, Gaston Bachelard, Cora Coralina, Fernando Pessoa às reflexões de Santo Agostinho sobre o conceito abstrato do tempo.

Sobre o autor:

Jornalista, mestre em História Cultural pela Universidade de Brasília, autor de Expresso Brasília: a história contada pelos amigos (Ed. UnB), As Cores da Memória (Ed. LGE), Os Filhos dos Candangos (Ed. UnB).